segunda-feira, 26 de março de 2007

Maracatus, Batuques e Ladeiras

Os Maracatus mais antigos do Carnaval do Recife, também conhecidos como Maracatus de Baque Virado ou Maracatu Nação, nasceram da tradição do Rei do Congo, implantada no Brasil pelos portugueses. O mais remoto registro sobre Maracatu data de 1711, de Olinda, e fala de uma instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei: o Maracatu.
Para Mário de Andrade a origem da palavra maracatu é americana: maracá=instrumento ameríndio de percussão; catu=bom, bonito em tupi; marã=guerra, confusão. Marãcàtú, e depois maràcàtú valendo como guerra bonita, isto é, reunindo o sentido festivo e o sentido guerreiro no mesmo termo.
A dança executada com as Calungas, que são bonecos religiosos, é obrigatória na porta das Igrejas, representando um "agrado" à Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito. Quando o Maracatu visita um terreiro homenageia os Orixás.
Há também o chamado Maracatu Rural. A crise que antecedeu a II Guerra Mundial provocou uma onda migratória da zona rural para o Recife. Esse tipo de Maracatu, também conhecido como Maracatu de Orquestra ou de Trombone, surgiu nessa época, através da fusão de vários folguedos do interior de Pernambuco, especialmente da zona canavieira. Portanto, nada têm a ver com a instituição mestra do Rei do Congo.


* O arquivo a seguir está divido em duas pastas, uma com gravações mais atuais de grupos ainda na ativa como Nação Erê, Maracatu Estrela Brilhante, Leão Coroado, Rio Maracatu, entre outros. Na outra pasta são as gravações a partir de 1930, com um maracatu bem diferente do que estamos acostumados, com uma percussão menor e músicas cantadas. São versões originais de mestres como Capiba, Paulo Lopes, Sebastião Lopes e Geraldo Medeiros.

MARACATUS DE HOJE

1. Cheguei Meu Povo
2. Maracatu (Instr.)
3. Oleruê
4. Cheguei Meu Povo
5. No Morro da Conceição
6. Dia 13 não é dia de negro

MARACATUS DE ONTEM

1. Eh! Uá! Calunga (Capiba) - Maira (1936)
2. Chora meu goguê (Paulo Lopes & Sebastião Lopes) - Henricão Sátira (1938)
3. Senzala - Raul Torres (1945)
4. Piou Caboré - Geraldo Medeiros (1950)
5. Noiô, Noiô (Paulo Lopes & Sebastião Lopes) - Henricão Sátira (1936)
6. Maracatu Elegante - Raul Prates (1943)
7. Maracatucá - Geraldo Medeiros (1949)
8. Nação Nago (Capiba) - Os Cancioneiros (1955)

PASSPORT

7 comentários:

Anônimo disse...

Poxa, muito interessante. se tiver mais mostra pra gente ai.

je_tgg disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jessica disse...

simplesmente lindo .
valeu msm, não sei onde encontrou isso mas são verdadeiras raridades.
aproveitei e bxei a seleção de rocksteady.
agora vou brisar um pouquinho aqui !

Isabel Guillen disse...

As imagens que você postou sobre os maracatus, são de quem?

Samuel Valente disse...

Parabenizo esse fundamental trabalho de muita utilidade para pesquisadores.
Pergunto sobre Henricão Sátira, que aparece nos maracatus de Sebastião Lopes e Paulo, 1936 e 1938, se é o intérprete de ambos, e nesse caso, em qual gravadora fez os referidos registros.
Também pergunto o nome do autor do maracatu "No morro da Conceição"..
Agradeço a atenção e as informações.

Fábio disse...

Olá,

Você teria mais informações sobre essa gravação de "Senzala" por Raul Torres? Pelo que sei essa música foi gravada em 1945 por Jorge Fernandes, e não por Raul Torres. E a voz também não parece ser a de Raul Torres.

Majorna Maracatu disse...

Postar novamente por favor! Maracatus batuques ladeiras n. 1,2,3